A Augusta Respeitavel e Benfeitora Loja Simbolica Fraternidade Acreana Nr 863

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Categoria: GOB no Amazonas Publicado em Quarta, 04 Setembro 2013

- Após a tempestade de 1927, apesar das suas origens comuns, o Brasil passou a ter várias potências simbólicas. De um lado a maior de todas, o Grande Oriente do Brasil (GOB), com sede no Rio de Janeiro, à rua do Lavradio, englobando lojas dos Ritos Escocês Antigo e Aceito, Moderno, York, Brasileiro, Adonhiramita e Schrõeder, distribuídas em Grandes Orientes Estaduais federados e não soberanos. Do outro, diversas pequenas potências simbólicas estaduais soberanas, umas denominadas Grandes Lojas Estaduais, outras permanecendo como Grandes Orientes, ao manterem a sua denominação anterior, constituídas maciçamente por lojas escocesas, que haviam acompanhado a liderança do Supremo Conselho de Behring.
No Amazonas e Acre a adesão ao sistema de soberania estadual teria sido quase total, não fosse a existência da Loja Fraternidade Acreana, Nr 863, de Cruzeiro do Sul, que se manteve fiel ao Grande Oriente do Brasil, até aos dias atuais, completando noventa anos de fundação, em 1997, que devem ser comemorados condignamente, por toda a nossa Obediência.
Embora as lojas 'União e Perseverança e Segredo e Lealdade, de Rondônia, tenham os números 947 e 990, respectivamente, elas tiveram passagens por outras potências, sendo que a primeira retomou ao GOB, em 1950, e a segunda., em 1956.
As terras do atual Estado do Acre, após o Tratado de Petrópolis, que determinara as fronteiras do Brasil com a Bolívia, e pelo Decreto Nr 5188, de 7 de abril de 1904, foram divididas em três departamentos autônomos, dirigidos por um prefeito nomeado pelo Presidente da República.

 

Assim surgiram os Departamentos do Alto Acre, com sede em Volta da Empresa, depois Penápolis, e finalmente Rio Branco, tendo por primeiro prefeito o coronel Rafael Augusto da Cunha Matos; do Alto Purus, dirigido pelo general José Siqueira de Menezes, que fundou Sena Madureira; e do Alto Juruá, governado pelo general Taumaturgo de Azevedo, com a capital em Cruzeiro do Sul.
O Brasil assim procurava administrar uma riquíssima região, então o maior centro mundial de produção de borracha natural, matéria prima de altíssimo valor, que chegou a alcançar o preço de vinte quilos de ouro, por tonelada, em 1910. Governando diretamente o Acre, o País apossava-se de milhares de contos de reis de impostos e de divisas, aplicados fora dos departamentos, enquanto o povo acreano era mantido sem liberdades políticas, sendo esta a origem da meia dúzia de revoluções autonomistas ali ocorridas, buscando a sua transformação em Estado.

 

A vida econômica dos seringais, unidades produtoras do ouro negro, era ativa e rentável, e o dinheiro fluía em quantidade, para aquelas regiões distantes, ensejando o aparecimento, nas sedes departamentais, de uma burguesia letrada composta por advogados, médicos, agrimensores, dentistas, funcionários federais, militares, comerciantes e seringalistas; os verdadeiros mecenas daquele deserto verde, que organizavam uma vida social, para vencer o. isolamento da civilização, representada pela distante cidade de Manaus, a mais de um mês de viagem, pelas chatinhas da Amazon River, principalmente durante a vazante dos rios, quando as ligações com o mundo eram cortadas completamente.
Foi no Departamento do Alto Juruá, na recém fundada cidade de Cruzeiro do Sul, que surgiu, a 19 de dezembro de 1907, a Loja Fraternidade Acreana, a mais antiga do Acre, em reunião celebrada na residência de Cândido Torné Rodrigues, sendo seus fundadores: Cândido Torné Rodrigues, Manuel do Valle e Silva, João Craveiro da Costa, Augusto Correia Pinto, Antonio Pereira da Silva, Manoel Florêncio Gomes, Joaquim Barroso Cordeiro, Antonio Farias e Souza, Jorge Mehry, Amin Daou, Marcos Gomes de Oliveira e Alexandre Sfrapini.
A um desses pioneiros, o escritor e historiador alagoano João Craveiro da Costa, seu venerável reeleito, por diversas vezes, devemos a memória histórica desta Loja, no período de 1907 a 1920, registrada em um opúsculo, que nos chegou às mãos graças ao Ir.: Antonio Souza Brito, Delegado do GOB, no Acre.
Em seu histórico de 1920, Craveiro informa-nos que a Loja adotara o Rito Escocês Antigo e Aceito, funcionando às quartas feiras, e elegera, no mesmo dia da sua fundação, a seguinte administração provisória:

NOME

CARGO

João Craveiro da Costa

Venerável

Manoel do Valle e Silva

Vigilante

Alexandre Sfrapini

 Vigilante

Augusto Ferreira Pinto

Orador

Antônio Faria e Souza

Secretário

Cândido Tomé Rodrigues

Tesoureiro

Jorge Merhy

Hospitaleiro

Antônio Pereira da Silva

 Chanceler

Devido à distância, o Breve Constitutivo da Loja, editado em ato de dezembro de 1908, somente foi recebido em maio de 1909, sendo regularizada a 24 de junho, quando já contava com sessenta e sete membros, dos quais quinze fundadores, dez filiados e quarenta e dois iniciados, realizando até aquela data cento e treze sessões, das quais setenta e duas econômicas, vinte e seis magnas e quinze especiais.
A 28 de setembro de 1908, foi iniciada a construção do templo, lançando-se um empréstimo de vinte e cinco contos de réis, entre os seus obreiros, logo todo coberto. E, pouco tempo depois, a 24 de junho de 1909, era ele inaugurado, sofrendo numerosas reformas posteriormente. Ainda em 1908, a Loja tomou a iniciativa de construir um hospital, que se transformaria na Santa Casa de Misericórdia, por ela mantida até 1917.

Tornou-se Loja Capitular a 1º de maio de 1910, sendo o seu primeiro presidente o Major Fernando Guapindaia de Souza Brejense. Foi inscrita no Quadro de Honra do GOB, em 1917, sendo a sétima loja do Brasil a receber esta distinção e, pelo Decreto Nº586, de 25 de junho de 1918, foi premiada com o título de Benfeitora da Ordem e com a Medalha Quintino Bocaiúva.
A Fratemidade Acreana tomou parte no Movimento Autonomista de 1° de junho de 1910, visando a formação do Estado Federado do Acre, e sempre foi favorável a criação de um território federal independente, no Alto Juruá, após a fusão. dos Departamentos.
No campo da benemerência, além de ter criado a Santa Casa, através do seu tronco, fez doações às vítimas da Primeira Guerra Mundial, a pedido da Grande Loja da França; às vítimas de diversas sêcas do Nordeste, e ao Asilo de Mendicidade de Fortaleza. Em 1910, fundou, sob a direção do professor Flodoardo Cabral, uma escola priinária, e, em 1917, a Liga de Combate ao Analfabetismo, estabelecendo onze cursos noturnos, em todo o município de Cruzeiro do Sul, e fornecendo-lhes o material didático necessário. O total de matrículas chegou a cento e setenta e três alunos. A Liga era mantida pelo denominado tronco escolar. Durante a epidemia de gripe espanhola, em 1919, estabeleceu, em seu templo, um posto de socorros, que atendeu a trezentos e quarenta e cinco doentes.
Até 24 de junho de 1919, a Loja já realizara oitocentos e dez sessões, com uma freqüência média de dezenove obreiros, por reunião. No ano seguinte, a 31 de maio, o Quadro da Oficina registrava um total de cento e sessenta e três obreiros, sendo quinze fundadores, vinte e cinco filiados e cento e vinte e três iniciados.
Do núcleo estabelecido pela Fraternidade Acreana, mais duas lojas surgiriam, em Cruzeiro do Sul, ambas filiadas ao GOB: a Vanguardeiros do Juruá, NºI786, fundada em 7 de julho de 1970, e a Vigilantes do Juruá, depois Marechal Taumaturgo de Azevedo,Nº1873, a 2 de dezembro de 1972.
Pela importância da Maçonaria, no Alto Juruá, o GOB ali criou, a 14 de fevereiro de 1974, uma Delegacia do Grão Mestrado Geral, instalada a 20 de março do mesmo ano, depois transferida para Rio Branco.
Graças à Loja Fraternidade Acreana, o GOB jamais deixou de existir, no Acre e na Amazônia Ocidental.

 

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Caros IIr.'.

Pensamento maçônico internacional, onde diz: - para se unirem basta seguir os rituais centenários da maçonaria e serem verdadeiros maçons.
A Maçonaria somos nós, e ela somente será grande se nós formos pessoalmente grandes. Não esperamos encontrar na maçonaria o que não encontramos dentro de nós mesmos. Nada poderá ser maior do que a soma da grandeza de seus componentes.
(Extraído do livro: Antologia Maçônica de Ambrósio Peters)

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