Venerável, é o cargo mais humilde de uma loja?

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Categoria: Cultura Maçônica Publicado em Quinta, 05 Setembro 2013

 As escolhas para a composição de uma chapa para concorrer aos cargos diretivos da Loja nem sempre decorre de um consenso natural, espontâneo, pacífico e harmônico havido entre todos os mestres de seu quadro de obreiros.


Os arranjos para tais composições se realizam também através da observação feita por um grupo que é formado pelo entendimento de dar continuidade ao modelo administrativo vigente ou pelo entendimento de outro grupo que pretende implantar um novo modelo administrativo, dividindo-se entre grupos de situação ou de oposição, ambos visando o fortalecimento e engrandecimento da Loja, melhores condições de trabalho e de harmonia para todos os integrantes da Oficina e suas relações com a Obediência, com as demais coirmãs.


Também existe a possibilidade de se firmar a tentação vaidosa de algum dos integrantes pretendendo assumir o malhete do comando da Loja apenas para a satisfação de um projeto pessoal no desafio da competição visando impor sua pretensão de se sentir líder, através de ardilosos argumentos, promessas feitas até mesmo garantindo retribuições de repassar o cargo, no futuro, para cada eleitor que sufragar o seu nome na eleição presente.


Disputas acirradas podem ser constatadas não através de planos de gestão, mas, simplesmente pelas vinculações pessoais de amizade, identificações de simpatias pessoais que prejudicam o futuro da Loja, criando verdadeiros rachas, antagonismos que, não raro, resultam em defecções de dedicados Irmãos para a formação de outra oficina quando não resultam em filiações coletivas em oficina existente.


O cargo de Venerável Mestre muitas vezes é o principal objetivo a ser conquistado por aquele Irmão que se acha capacitado para exercer o Primeiro Malhete, independente da avaliação dos demais Irmãos. O cargo de Venerável Mestre, autoridade máxima da Loja Maçônica, pode ser ambição pessoal de alguém que nunca exerceu responsabilidades de Primeiro ou Segundo Vigilante, de Secretário, Orador ou de Tesoureiro, daquele Irmão que frequenta a Loja burocraticamente, opinando em tudo, questionando tudo e todos, trazendo sua contribuição de inteligência na resolução de problemas eventuais... Aquele que se encarrega de dirigir uma comissão para uma festa, um evento, uma programação que lhe possibilite brilhar sob os holofotes do sucesso do empreendimento e que lhe permita receber os aplausos por tal missão isolada cumprida com esmero.


Assim, com os olhos vendados pela vaidade, muitos candidatos de si mesmos ao cargo de Venerável Mestre deixam de ver a profundidade das lições contidas nas disposições da dinâmica do exercício do Rito adotado por sua Loja, tal como se configuram no desenvolvimento da prática do Ritual, conforme sugerem as lições contidas na dinâmica de qualquer Sessão que se realizam em Loja.


Com efeito, todos os ritos sugerem a conduta do Venerável Mestre como função mais dependente e de humildade no desenvolver das atividades em Loja.


O Venerável Mestre, nas lições trazidas pelo conteúdo dos rituais é aquele que indaga sobre as atividades em loja. O Venerável Mestre é aquele que solicita providências para serem transmitidas pelos Irmãos Vigilantes aos Irmãos ocupantes dos demais cargos. Cabe ao Venerável Mestre indagar o que é necessário para se realizar uma Sessão Ritualística. É ele quem pergunta o horário para início dos trabalhos e busca respostas de perguntas que se transferem do Primeiro para o Segundo Vigilante para o início dos trabalhos.


O Venerável Mestre é quem pergunta ao Secretário o relatório das sessões anteriores, a correspondência emitida ou recebida, as anotações das alterações havidas no quadro de obreiros.


É o Venerável Mestre é quem anuncia as alterações de temas que se desenvolvem durante a Sessão e incumbe aos demais ocupantes de cargos as providências que devem ser tomadas para execução do ritual.


Sem as respostas dos Irmãos Vigilantes o Venerável Mestre não poderá declarar aberta uma sessão ritualística assim como, sem a resposta do Irmão Orador, não poderá providenciar no encerramento dos trabalhos.


A dinâmica contida no ritual que rege a Sessão Maçônica traz consigo a lição sobre as condutas do Venerável Mestre em Loja e sua postura maçônica diante de todo o quadro de loja, sintetizada na mensagem de humildade, de prestação de serviços sob dependência e sob subordinação das respostas vindas de todas as direções da Loja para que o Primeiro Malhete possa exercer as suas funções.


É na simples leitura do Ritual de qualquer sessão maçônica que se infere as condutas sugeridas para o Venerável Mestre, posto que, todos os requisitos essenciais para o funcionamento Justo e Perfeito de uma Sessão Maçônica se diluem entre os integrantes da Loja contribuindo com informações e atividades que permitam ao Venerável Mestre dirigir os trabalhos em Loja.
Através da simples leitura do Ritual da Sessão Maçônica colhemos a lição sobre a necessidade de humildade que o cargo exige, pois, sem a harmoniosa interação com os demais cargos, o Venerável Mestre não poderia agir posto que todas as suas ações em Loja dependem da cooperação imprescindível do atendimento das necessidades apresentadas pelo Venerável Mestre, o impossibilitando de dirigir os trabalhos sozinho.


Diante da simples leitura do Ritual da Sessão Maçônica, fica expressamente afastada qualquer hipótese de vaidade, de soberba, de arrogância e até mesmo de Poder Absoluto do Venerável Mestre sobre os demais integrantes do quadro de obreiros de sua Oficina.


Ir.’. Nicolau B . Lütz Netto  - ARLS ACÁCIA PORTOALEGRENSE, 3612, RM, GOB/RS - Membro Correspondente da Loja Francisco Xavier Ferreira de Pesquisas Maçônicas

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Caros IIr.'.

Pensamento maçônico internacional, onde diz: - para se unirem basta seguir os rituais centenários da maçonaria e serem verdadeiros maçons.
A Maçonaria somos nós, e ela somente será grande se nós formos pessoalmente grandes. Não esperamos encontrar na maçonaria o que não encontramos dentro de nós mesmos. Nada poderá ser maior do que a soma da grandeza de seus componentes.
(Extraído do livro: Antologia Maçônica de Ambrósio Peters)

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