Os Irmãos “adormecidos”

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Categoria: Destaque Publicado em Quarta, 09 Outubro 2013

Segundo algumas estatísticas, o número de Irmãos  “adormecidos” a nível mundial será de alguns milhões, sendo plausível que na nossa ainda relativamente jovem Obediência ascenda já a várias centenas, ultrapassando provavelmente o milhar.
O “adormecimento” de um Ir é sempre uma infelicidade para uma Loja e por consequência para a Obediência onde a mesma se encontra inserida.
Caso consideremos o “adormecimento” como a consequência natural de uma admissão que não deveria ter acontecido, por o neófito então profano não corresponder aos critérios exigidos, teremos então que ter a humildade de reconhecer que tal se verificou provavelmente por negligência ou facilitações nas sindicâncias.
Tal argumento, se bem que plausível nalguns casos, poderá levar-nos a não fazer uma reflexão séria sobre qual a verdadeira razão para tantos “adormecidos”, tanto na nossa Loja ou Obediência, como a nível global.
Sendo verdade que alguns “adormecimentos” se devem a um possível mal entendido quando da admissão de um profano nos mistérios da Maçonaria, devemos reconhecer que por vezes a perseverança exigida pelos Irmãos Mestres aos Aprendizes não é correspondida proporcionando-lhes uma instrução adequada às suas expectativas de conhecimento no caminho da Luz, aguçadas por toda uma simbologia que visualizam em cada sessão na sua Loja e por vezes nunca explicada.
É natural que muitos Irmãos se interroguem sobre a utilidade da sua participação em reuniões de Loja onde, muitas vezes, a leitura de decretos e a discussão de questões administrativas, se sobrepõem à instrução e à demanda espiritual a que porventura se propuseram quando foram iniciados.
Esquecemo-nos por vezes da nossa condição de eternos Aprendizes e que a instrução esforçada e contínua, que temos por dever proporcionar aos novos Aprendizes, contribuirá também para aprofundar os conhecimentos dos mistérios da Maçonaria já adquiridos pelos próprios Mestres.
Sessões de Loja onde, por vezes,  sequer o Ritual é bem compreendido e consequentemente não é escrupulosamente cumprido, contribuem para as dúvidas e interrogações de quem observa na sua Loja o Ritual ser praticado como uma mera tentativa de representação teatral e como tal esvaziada do seu verdadeiro significado simbólico.
Só o Simbolismo maçônico bem compreendido poderá ser o elo a unir todos os maçons e é por ele que a verdadeira Fraternidade se pode e deve estabelecer.
É sempre mais fácil culpar o Irmão “adormecido” em vez de procurarmos compreender qual o verdadeiro motivo que levou um neófito, que procurou a Luz, a desistir da sua demanda espiritual.
Muitas vezes não nos apercebemos que são os nossos erros que levam Irmãos desencantados a perder a fé na instituição. Esquecemo-nos por vezes que o desencanto com a Loja ou Obediência, não significa necessariamente o abandono dos ideais maçônicos por parte do Irmão que deixa de frequentar a sua Loja.
Os esforços por vezes dispendidos em disputas por um efêmero e aparente poder no seio das estruturas organizacionais nada tem a ver com a Maçonaria e tal tem também levado ao “adormecimento” de muitos Irmãos.
Infelizmente é por vezes mais fácil aplicar a Justiça, através de sanções, do que levantar a bandeira da Tolerância na qual está implícito o dever de redirecionar os faltosos ou culpados e a possibilidade de os recuperar qualquer que seja a gravidade da sua falta.
Na demanda espiritual a que nos propusemos com vista à construção d o Templo ideal, que é primeiro o Homem e depois a Sociedade, procuramos trazer para o nosso seio o maior número possível de homens livres e de bons costumes. Poderíamos mesmo definir como objetivo, talvez utópico, que com a iniciação de todos os homens livres e de bons costumes, numa sociedade regida pelos verdadeiros valores maçônicos, a construção do Templo ideal feita à Glória do Grande Arquiteto do Universo estaria numa fase adiantada de conclusão.
Nessa nossa procura de novos Obreiros esquecemo-nos por vezes dos Irmãos “adormecidos”, entre os quais se encontram Mestres com alguma antiguidade, Veneráveis e mesmo Grão-Mestres, o que constitui um desperdício e uma inutilidade iniciática.
Referimo-nos por vezes aos Irmãos “adormecidos” como ex-Irmãos ou ex-Maçons. Tal não existe. O Irmão “adormecido” é isso mesmo, é um Irmão que a Loja tem a obrigação de, pelo menos, tentar voltar a despertar para a demanda espiritual a que ele se propôs e que por esta ou aquela razão abandonou.
Seria bom que, na Cadeia de União, voltássemos algumas vezes o nosso pensamento Fraternal para esses Irmãos adormecidos, pedindo ao GADU o seu regresso ao nosso seio. Se o Irmão “adormecido” abandona a sua Loja, esta não deverá pura e simplesmente abandonar o seu Obreiro.
Felizmente esse total esquecimento a que na maior parte dos casos ficam votados os Irmãos que escolheram abandonar, pelo menos fisicamente, a Cadeia de União, nem sempre se verifica.
A verificar-se o regresso, aos trabalhos da nossa Respeitável Loja, em particular, e, da nossa Augusta Ordem em geral, de todos os homens livres e de bons costumes já iniciados que se encontram “adormecidos” um grande passo seria dado para a construção do Templo ideal.
Que o Grande Arquiteto do Universo nos ilumine e auxilie nessa importante tarefa.

Ir Luís Santos  - ARLS General Gomes Freire de Andrade  nº 4, Oriente de Lisboa, Portugal.

 

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Caros IIr.'.

Pensamento maçônico internacional, onde diz: - para se unirem basta seguir os rituais centenários da maçonaria e serem verdadeiros maçons.
A Maçonaria somos nós, e ela somente será grande se nós formos pessoalmente grandes. Não esperamos encontrar na maçonaria o que não encontramos dentro de nós mesmos. Nada poderá ser maior do que a soma da grandeza de seus componentes.
(Extraído do livro: Antologia Maçônica de Ambrósio Peters)

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