A Loja a Coberto

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Categoria: Destaque Publicado em Domingo, 03 Novembro 2013

A abertura da Loja Maçônica permite a “criação”, ou melhor, “ré-criação”, de um tempo e um espaço sagrado, uma blindagem dentro da qual os maçons realizam seus trabalhos “a coberto” do mundo profano: fora do templo, exercitando a Arte Real ou “Grande Obra” da cosmogonia, em perfeita consonância com os “planos do Grande Arquiteto do Universo”, a cuja “Gloria” e “Nome” se cumprem precisamente esses trabalhos, pois como se lê no Livro Sagrado: “Se o Eterno não edifica a casa em vão trabalham os que a edificam”.

 

Quando estes trabalhos chegam ao seu fim, o Venerável, auxiliado pelos demais Oficiais da Oficina, procede ao fechamento da Loja, de forma ritualística. Com o encerramento dos trabalhos a Loja Maçônica cumpriu seu ciclo de manifestação, após a evolução dos trabalhos até a chegada do seu limite (assinalados pelo tempo simbólico) desenvolvendo todas as possibilidades nele contidas, ou seja, a luz, cuja irradiação iluminou esses trabalhos, vai retornando progressivamente a si mesma, voltando assim à origem ou princípio de onde brotou. A Palavra, o Verbo, o Logos, isto é o Ser, que se refugiando no “Silêncio” do inefável e Imanifestado, daí o porquê o sentido profundo que tem o “guardar silêncio” sobre tudo que ocorre durante os trabalhos da Loja.

 

A loja Maçônica, imagem simbólica do Mundo, ritualiza com esse duplo movimento expansivo (centrífugo) da abertura, e contrativo (centriputa) do fechamento, a cadência do ritmo universal, do inspirar e aspirar cósmico, pois esta é a Lei ou Norma à qual está sujeito tudo o que é manifestado, seja através do Ser, do mundo ou do conjunto inteiro da Existência Universal. A todo nascimento lhe segue um processo de expansão e desenvolvimento, alcançados os limites do qual se inicia um período inverso de contração, replagiamento e finalmente extinção. A este respeito, o fechamento da loja Maçônica coincide com a “Meia-noite em ponto”, ou seja, com o “fim do dia”, o qual é um ciclo completo (24 horas) análogo a ciclos maiores, nos quais está incluído.

 

“A retirada em ordem dos aprendizes e companheiros está ritualmente representada pelo irmão Orador no momento em que fecha o Livro da Lei Sagrada e recolhe o compasso e o esquadro, isto é, as “Três Grandes luzes” da Maçonaria, passando em seguida para o Mestre Cerimônia que guarda o quadro que determina o grau em que a Loja esta trabalhando (que o mesmo Mestre de Cerimônia “expõe quando da abertura dos trabalhos), chamado assim porque nele se corporificam os símbolos mais importantes e significativos do grau em que a loja Maçônica esteja trabalhando: seja no de aprendiz, no de companheiro ou no de mestre. Em seguida o Mestre de Cerimônia apaga as “Três luzes” que iluminam os pilares da Sabedoria, da Força e da Beleza, que representam o Venerável da loja Maçônica e os dois Vigilantes (estreitamente relacionados com a simbolismo desses pilares).

 

Na abertura e no encerramento dos trabalhos da Loja, o venerável e os Vigilantes dão cada um três pancadas no grau de aprendiz, que somadas é igual ao número nove e esse procedimento se vincula com a idéia, do ciclo, pois o nove é, como sabemos, um número cíclico por sua direta vinculação com a circunferência, a qual expressa o desenvolvimento completo do contido virtualmente no seu ponto central.

Assim, as nove luzes que iluminaram e geraram o espaço e o tempo no qual se desenvolveram os trabalhos, se concentram, efetivamente, no centro de onde emanaram.

 

Por conseguinte, tudo o que devia realizar-se e manifestar-se na loja Maçônica, na Oficina de trabalho, já foi cumprido, mas antes de retirar-se os operários recebem seu “salário”, recolhendo o que semearam ou edificado em si mesmos, e que são os frutos de sua ação, da sua intenção, e do que eles contribuíram, e em que medida, trabalharam na realização efetiva dos planos do Grande Arquiteto. Este é o sentido que tem o “salário” maçônico (ou iniciativo), palavra que deriva de “sal”, substância que na Alquimia é considerada como a síntese ou o fruto da ação do enxofre sobre o mercúrio, ou seja, o resultado da união ou conciliação de uma energia celeste, ativa, yang, e de uma energia terrestre, passiva, yin. Trata-se, em suma, de “conciliar os opostos”, ou de “reunir o disperso”, e que da mesma forma que o alquimista o maçom deve operar em sim mesmo, o que constitui a principal razão de seu ofício.

 

Não é então por acaso que os maçons recebam seu salário nas colunas J e B (situadas à entrada e na saída da loja maçônica), pois elas simbolizam respectivamente o princípio ativo e o princípio passivo ou receptivo. Quando a loja Maçônica trabalha em grau de aprendiz, o salário se recebe na coluna B, e quando trabalha no grau de companheiro na coluna J. Acrescentaremos que ambas as colunas aludem ao necessário “estabelecimento” ou “fundamento” que faz possível a edificação do Templo, construção que na verdade não é outra coisa que o processo mesmo da realização interior1. Os mestres, entretanto, recebem seu salário na “Câmara do Meio”, ou no “centro do círculo”, pois sua função não está ligada diretamente a essa construção (que é a que levam a cabo os aprendizes e companheiros), mas a elaborar seus planos de acordo aos do Arquiteto ou Ser Universal, o que implica um conhecimento direto (não mediatizado) da cosmogonia e suas leis, assim como da ordem ontológica e metafísica.

 

Por tudo isso, o salário maçônico também alude à virtude da justiça, já que cada um recebe na sua coluna o que merece, que na verdade é o que tem, pois como diz o Evangelho: “Porque a todo o que tem, se lhe dará e lhe sobrará; mas ao que não tem ainda o que tem se lhe tirará” (Mateus 25, 29), e onde também se afirma: “que o que tenha ouvidos para ouvir que ouça”. Só então “os operários estarão contentes e satisfeitos” e terão “direito ao descanso”, pois a justiça da qual nós almejamos não é outra senão o reflexo na ordem humana da lei do equilíbrio e harmonia que rege a ordem cósmica, reflexo por sua vez da Justiça divina. Havendo recebido o que lhes corresponde, os operários poderão despedir-se assim “na liberdade, no fervor e na alegria”, pois terão cumprido suas ações, ou seja, seu trabalho, ao “bem geral da Ordem (da Ordem) e da loja Maçônica em particular”.

 

Nota: Neste sentido, e para compreender este simbolismo, é preciso levar em conta que as colunas J e B estão situadas ao Ocidente da loja Maçônica, ao Oeste, o ponto cardeal por onde se oculta o sol (a luz do dia), e que se corresponde com o equinócio de Outono no ciclo anual. A tradição judaica realiza no início do Outono a festa do “Grande Perdão” (a mais importante junto da Páscoa, celebrada ao começo do equinócio da Primavera), período durante o qual se implora a justiça de Deus tanto na ordem individual como social, e que prefigura o “Jubileu” do ciclo completo da humanidade, pois é no Outono onde esta tradição (em concordância com todas as tradições) situa o “fim dos tempos” ou o “retorno” à origem primordial. Igualmente, a tradição Cristã realiza nesta estação a festividade de São Miguel (29 de Setembro), o arcanjo que divide a Justiça divina durante o “Julgamento Final”, pois ele “pesa” as almas e situa a cada uma no lugar que lhe corresponde dentro da ordem universal, tal e como pode ver-se na iconografia cristâ, nas fachadas das catedrais góticas.

 

Ir.’. Gustavo Velasquez Santos – M.’.M.’.
ARLS União Araguarina Nº 0924 – GOB – REAA
Or.’. de Araguarina – MG

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Caros IIr.'.

Pensamento maçônico internacional, onde diz: - para se unirem basta seguir os rituais centenários da maçonaria e serem verdadeiros maçons.
A Maçonaria somos nós, e ela somente será grande se nós formos pessoalmente grandes. Não esperamos encontrar na maçonaria o que não encontramos dentro de nós mesmos. Nada poderá ser maior do que a soma da grandeza de seus componentes.
(Extraído do livro: Antologia Maçônica de Ambrósio Peters)

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